domingo, 6 de junho de 2010

Ódio


O que torna o ódio tão poderoso atualmente? Tenho percebido que odiar tornou-se tão simples, tão banal, quanto tomar uma xícara de café pela manhã.

Talvez o simples fato de odiar tenha se tornado uma droga viciosa. Odiando todos que o cercam, planejando várias maneiras de alimentar seu próprio ódio e implantar o mesmo em coração de outras pessoas, tornando por fim, um ciclo vicioso.

Aonde foram parar o perdão? E a compaixão? E a compreensão?

Há pessoas que entram em um ódio tão profundo que esquecem da própria mãe, arranjando motivos para se voltar contra a família e amigos, voltando-se até mesmo para si próprio. E quando dão-se por si (quando conseguem), já estão completamente perdidos, absortos em um mar de fúria e lágrimas.

Sinto uma profunda pena por pessoas assim, pois mesmo tendo tudo para serem extremamente felizes e realizadas, não conseguem, pois o ódio os cegou de tal forma que o mundo para tais pessoas é uma selva onde se sobrevive.

Não devemos sobreviver, mas sim VIVER.

E o ódio? Bem... Ele não permite vida, apenas trevas.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

O Sapatinho Vermelho

Aonde foi parar os sapatinhos vermelhos das meninas dos dias de hoje? Eu lembro do meu sapatinho vermelho... Dos sonhos que eu tinha quando estava com eles...

Acho que toda menina, garota, mulher deveria estar com seu sapatinho vermelho no dia a dia, pois são eles que nos lembram o que é sonhar. Ah sonhar... Como é bom sonhar. Como a Dorothy no Mundo de OZ, esperta e sonhadora e seus sapatinhos vermelhos eram sua marca registrada.

Outro dia eu fui buscar minha prima de 6 anos em sua escola, lembro que foi engraçado o modo ao qual ela me recepcionou, saiu correndo de dentro de sua salinha e se jogou no meu colo com tanta facilidade... A peguei nos braços, lhe fiz um afago e perguntei:

- Está pronta Cacá?

Logo em seguida a professora saiu e perguntou se eu era a prima famosa, a que contava as historias. Respondi que sim e ela logo fechou a cara.

- Essas histórias que você conta para a Carolina não são adequadas, não são como João e Maria que tem uma lição de moral...

E daí começou a dissertar várias coisas, eu apenas ri observando minha prima arrumando suas coisas.

- Olha professora, conto histórias de amor para minha priminha, histórias que façam com que ela coloque a cabeça no travesseiro e sonhe com um mundo mágico cheio de coisas boas...

Ela franziu tanto o cenho que eu sinceramente achei que iria me arrancar o fígado.

- O mundo de hoje não tem apenas coisas boas. – Ela retrucou.
- Isso porque ás princesas deixaram de sonhar! – Pisquei marota.

Peguei a Cacá pela mão e a levei embora, a professora não me disse nenhuma palavra sequer.

Eu havia percebido que quando eu inventava histórias sobre uma princesa fantástica, linda, forte e valente, minha prima se via naquele papel e depois da história corria para suas bonecas e começava a desenvolver a história com elas de sua maneira. Duas semanas depois fui novamente buscar minha prima e a professora se aproximou de mim de uma maneira mais convidativa.

- Você acredita que todas mulheres são princesas? – Indagou.
- Claro! Eu ainda sou uma princesa, você é, minha mãe é! Nenhuma mulher deveria ser tratada como uma plebéia! Somos todas princesas fantásticas, e se assim pensarmos assim seremos e se nós nos comportarmos mais como princesas o mundo se tornaria melhor.
- Como assim?
- Ora professora, nos contos de fadas os príncipes e as princesas estão sempre prontos para enfrentar o mal, sempre são bondosos e educados, nunca destratam os outros e sempre procuram fazer o melhor para o próximo e eles sonham, e porque sonham ficam mais determinados a realizar seus desejos mais profundos.

Ela me sorriu abertamente após minha breve explicação, senti que aquela professora em especifico precisava de um sapatinho vermelho, de um pequeno sinal que a fizesse crer novamente em um mundo mágico.

Devíamos calçar mais vezes nossos sapatinhos vermelhos, nos portarmos como príncipes e princesas, procurar ser sábios como os magos e as fadas madrinhas e não esquecer de nossos sonhos maravilhosos.

O mundo pode se tornar mágico se quisermos... Isso se quisermos.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Gravidez


Hoje eu tive uma noticia feliz, para falar a verdade é tão feliz que eu chorei que nem um bebezinho quando soube!

Uma das minhas melhores e queridas amigas de infância, Ana Alves, está grávida de seis meses. Havíamos perdido o contato desde o ano passado, mas conseguimos nos reencontrar e ela me disse que estava grávida.

Eu mal podia acreditar, estava ganhando mais uma “sobrinha”, já que o Achiles já me deu uma primeiro, fiquei frenética na frente do computador, querendo saber de tudo, o sexo, o nome, quantos meses, como ela tava, como era a gestação... Eu fiquei hiper empolgada, afinal, era a gravidez de uma pessoa que eu sempre teria muito estima.

Foi então que minha avó se aproximou do computador e perguntou o porque da minha empolgação frenética, o porque deu estar parecendo uma pulga dançante na frente do computador.

- A Ana Alves vó! Ela ta gravidaaaa!!!
- Sério? Meu Deuss! Coitada, que besteira que ela fez...

Me assustei olhando para a minha avó, como ela podia falar aquilo? Desde quando uma criança era uma besteira?

- Besteira? Crianças não são besteira! São graças divinas, são bênçãos de Deus! Ter o poder de educar um ser humano, criar uma pessoa para ser boa no mundo e útil a sociedade... O que isso tem de besteira?

Minha avó ficou um pouco sem graça após meu discurso, recuou e deu os ombros. Não liguei muito e voltei minha atenção para minha amiga linda e grávida.

Não importa a idade, eu acredito muito que ás coisas acontecem para nos ensinar. Ter a oportunidade de criar uma criança, de ter um bebezinho pequeninho em seus braços é um dos maiores presentes que podemos receber, o poder de saber o que é o amor incondicional que ás mães tem pelos filhos. Quer sorte maior?

Por mais que uma gravidez não seja planejada ela deve ser vista com bons olhos e não como algo repugnante, afinal todo mundo sabe como se faz um bebê não é? Isso não é mais tabu! Todo mundo faz essas coisas... Pelo menos quando se tem um parceiro fixo.

Então, se é algo comum por que todo mundo julga? Gente, estamos em pleno século 21, existem várias mães solteiras que são excelentes mães! Que cuidam de seus filhos com amor e carinho e que formam seres humanos incríveis!

O amor pode mudar o mundo, essa é minha opinião!

Que a Maria Clara venha para o mundo com toda luz, paz, amor, e bênçãos! Que Deus a proteja e cuide da Ana Luisa Alves que a instrua para ser uma boa mãe!

Eu agora só sei de uma coisa, eu vou mimar deeeeeeemaisss essa neném!!!

(Na foto a Maria Clara, filhotinha da Ana Alves, lindinha né gente?)

“Quando se ama não é preciso entender o que se passa lá fora, pois tudo passa a acontecer dentro de nós.”
(Clarice Lispector.)

terça-feira, 27 de abril de 2010

Auto-Respeito



Sabe aquele sentimento de que a felicidade é tão grande que pode a qualquer momento tomar conta de você ao ponto de você sair dançando a macarena no meio da rua e pouco lixar se os outros estão ou não te observando?

Eu acho que nunca estive tão feliz assim a muito tempo...

A felicidade é algo engraçado, ela aparece quando estamos menos esperando, quando achamos que o mundo está para acabar, PLOFT! Ela surge e toma conta de nós. Quando passamos por um momento difícil então começamos a valorizá-la ainda mais.

Eu comecei a perceber que cada um de nós tem uma missão nessa vida, cada um está aqui por algum motivo, mas muitas vezes nos perdemos no meio do caminho e quando vemos estamos tão distanciados da nossa missão que sequer lembramos dela, mas quando voltamos a ela... Uau.

Sabe aquela coisa de que se cada um cumprir suas obrigações o mundo pode se tornar um lugar melhor? Eu acho que é verdade.

Fui em uma palestra na quinta feira passada na qual se abordava o contexto de “Auto-Respeito” que eu começei a perceber essa "coisa" de que como é importante nós sabermos nos respeitar, como é importante sabermos nos valorizar. Ficamos mais e mais bonitas e felizes quando colocamos um limite no próximo e começamos a notar que também temos nossos valores. Mas muitas vezes eu venho percebendo que algumas mulheres se esquecem disto.

Ás vezes ficamos tão fixadas na grandeza de modelos ou atrizes que nos esquecemos de nossas próprias grandezas. Quando paramos na frente de um espelho já começamos muitas vezes a pensar em uma tonelada de coisas para mudar: “Meu nariz é grande, nossa eu não tenho bunda, eu gostaria de ter menos seios...”.

Comecei a me perguntar de um tempo para cá porque a gente não começava a admirar aquilo que temos de melhor... E percebi que quanto mais nós vemos defeitos, mais nossa vida parece infeliz.

Eu lembro de que quando trabalhei na Contém 1g, e fiz o curso de maquiagem, eu conheci mulheres lindíssimas e percebi que a maior auto-estima delas vinha de dentro e não pelo fato de serem lindas, ás vezes acho que a beleza delas vinha daquilo que elas acreditavam que eram. Eram tão simpáticas, tão inteligentes, tão felizes.

Nós seres humanos temos uma mania incrível de auto-sabotagem, tudo nosso é que não irá da certo, é que temos defeitos, é que talvez jamais iremos conseguir. Ás vezes até colocamos nossos sonhos de lado pelo simples e inútil fato de que não acreditamos 100% em nós mesmos.

Eu lembro o dia que dei a noticia a minha mãe de que eu realmente iria me casar, ela ficou calada por alguns minutos (acho que ela pensou que eu estava tirando onda com ela), então ela respirou fundo me olhou de cima a baixo e disse “ Você sabe que não será fácil não é? Casamentos acabam todos os dias, você tem que ter jogo de cintura...”, não permiti que ela terminasse a frase, eu sorri bem grande a abracei e disse “Mãe, se eu entrar em um casamento acreditando que ele não vai dar certo, ele não vai dar. Eu tenho que encarar de frente tudo o que vier de dificuldades e ter a certeza de que serei forte para lidar com elas.”

Acho que foi naquele momento que minha mãe viu que eu estava pronta para encarar um matrimônio.

Correr atrás de nossos desejos e sonhos só é difícil quando pensamos que é difícil. Eu sou adapta a seguinte frase “Trabalhe muito, se esforce muito e deixe o resto com Deus”.

Talvez quando começarmos a confiar em nós mesmos e a acreditar que as coisas podem dar sempre certas e que somos pessoas lindas e podemos ser respeitadas e respeitar o limite do outro, o índice de depressão comece a cair.

“O que verdadeiramente somos, é aquilo que o impossível cria em nós.”
(Clarice Lispector)