segunda-feira, 25 de abril de 2011

Mirante



O sol me tocou a face de uma maneira sinuosa, respirei fundo, céus…




Há quanto tempo eu não respirava assim? Sentindo uma paz descomunal invadindo o meu ser, sentindo uma vontade deliberada de correr meus dedos sob um teclado de digitar, escrever e gritar e… Ufa!



Alguém sabe o que é estar feliz quando o mundo está simplesmente desmoronando ao seu redor? Como é dar gargalhadas quando um meteoro gigante destrói a praça da liberdade e todo mundo sai correndo e gritando? Bem… É como eu me senti… É como talvez outras pessoas se sintam.



Arrependimento? Não sou de utilizar muito essa palavra, sinceramente eu creio que na vida a



gente aprende a todo o momento e aquela simples e pequena experiência serviu para mudar muita coisa em mim, para que eu deixasse o meu lado “mimadinha da vovó” escondido debaixo de alguma prateleira velha.




Seja forte!




Eu sempre aprendi que a mulher deveria ser um poço de fraqueza para que então o seu príncipe encantado a salvasse de todo o mal e então eles iriam para o castelo e viveriam felizes para sempre…




Meu Deus que coisa mais patética e surreal!




Eu fui um pouco ao do contra, eu que derrotei dragões, escalei pontes e atravessei riachos, eu gritei, chorei, urrei, venci, perdi… Me levantei e ergui a cabeça. E então eu parei, respirei e percebi que aquilo não valia à pena.




Não valia a pena lutar por algo que acabaria me matando de uma forma ou de outra, não valia a pena abandonar cada sonho idiota que tinha e não valia a pena permanecer daquela forma. Mais uma vez eu havia caído em mim.




Agarrei-me a possibilidade de ser feliz novamente, observando que ás vezes os plebeus poderiam fazer parte de minha vida e me encaminhar à felicidade. Observando que o sorriso mais singelo de uma pessoa ou de uma pessoinha poderia mudar o mundo. Que uma gargalhada de criança iria me acalentar em noites que pareciam intermináveis, que um simples “Eu te amo” de um menino de 2 anos de idade me fariam chorar como uma bocó e ao mesmo tempo gargalhar como uma criança.




Ufa… Tanta coisa não acha? Tanta coisa para desabafar, ao mesmo tempo em que não se quer desabafar. Mas eu havia superado tudo, eu havia me transformado em uma simples mulher guerreira com um sangue quente Carneiro.




Eu estava apenas sentada em cima de uma moto observando a vista de um mirante com uma vontade doida de me achar no meio daquele mundão todo.




Alguém segurou minha mão ali, meus amigos.




Outra pessoa segurou meu rosto entre suas mãos ali… E me disse coisas que eu jamais pensaria que escutaria de seus lábios e então eu pensei: “Céus o que eu estou passando agora num é nem uma agulha do que essa pessoa passou, como eu sou imbecil de achar que eu não terei salvação!”
E então eu me agarrei mais uma vez a força que vinha de meu sangue, ao poder das palavras que sempre ecoaram em minha cabeça: “Sê forte”




E então meu ser inundou-se de sorrisos e eu vi que havia valido a pena ter passado por aquilo tudo, apenas para voltar ali, naquele frio desesperador, naquele lugar onde uma vez algo havia começado.




No meu mirante